quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Diferente é quando a gente lembra de alguém e vê além da cor dos olhos.
É diferente da atração física, é mais forte que o tesão e é tão lindo quanto a chuva. Quando a gente lembra do sorriso e é o mesmo que ouvi-lo naquele instante, é quando a temperatura da pele na pele aquece sem precisar de lençol. Essa coisa toda, da lembrança, dos gestos e trejeitos fazem das relações o que são.
Pensando sobre as relações que tive e a relação que tenho, me deparei com a diferença que é querer ter o suor, a pele na pele, o sexo e querer o sorriso, o toque, as palavras. Vai além do olhar, é diferente. Não pesa, e mesmo que exista rotina, tudo bem. Rotina faz parte da intimidade, do que é conhecer o corpo, a mente, o olhar. Quando do nada naquela manhã de segunda você sabe que ele vai se atrasar pro trabalho e que naquele exato momento ele nem sabe que já está a mais de vinte minutos no banho. Rotina é quando na hora de dormir a gente canta a mesma música e fica de mãos dadas. Tudo que citei aí acima é diferente, de naquela mesma segunda você levantar da cama dele, ele que você nem conhece direito, dar um nó no cabelo e sair porta à fora sem pensar em nada. Ou pensando que a dor de cabeça da noite mal dormida valeu à pena e que depois você pensa em ligar ou não (eis a questão). Isso vai apenas, e tão somente, até o olhar. 
Além do olhar é quando a gente lembra do toque, e também lembra das unhas. Quando a lembrança do sorriso pede que aquela música toque outra vez. É quando Vinícius de Moraes faz sentido, e o soneto da fidelidade não parece tão distante assim. É quando os dois corpos formam um só, e as vidas se encontram ao final do dia. É quando correr pela casa faz sorrir, e sorrir faz beijar. O amor, é beijar os olhos. Desejar os cílios, querer os lábios, e lamber a virilha. O amor, arde, é ferida que desatina sem doer. O amor tira o sono, perturba a mente, suja os lençóis, mancha as roupas, o amor esfria, esquenta, puxa, solta, arde. O amor é sujo. É encarar o outro de ressaca da vida, naquele dia em que nada deu certo e que seu corpo esta caído como um saco de lixo na porta de casa. O amor é quando as falhas não são esquecidas e sim discutidas. O amor é lamber a virilha, sugar os lábios. O amor é conhecer as vísceras, a dor do outro.
O amor é diferente.

É diferente quando a atração vai além daquilo que os olhos vêem.       



Fernanda Paiva         

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