terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Talvez este meu jeito não seja pelos meus defeitos. Pode ser que seja meu jeito mesmo, só. Quis te ter aqui no meio dos meus pensamentos, e o que encontrei de nós foi pó. Pó cinza. Um poeira suja. Quisera eu ter paz de espiríto para hoje dormir só, nos meus lençóis limpos do teu corpo e sujos do meu desejo. Danço com outro corpo, sinto com meu paladar, perdi a vergonha de desejar... Tão embaralhado, e essas coisas ao redor dizem nada ao dizer tudo. Não sei mais nada. Procurei na busca cansada de esquecer, e nada concluí. A morte arrasta as saudades, e as saudades não morrem. Essa coisa de carinho não se pode duvidar, e nem desdenhar, tem-se apenas que sentir.
Queria conseguir roubar a chave do teu corpo, e a todo instante abrir tua caixa de desejos. 
Quem sabe roubar tuas chaves de casa e te esperar dormindo, usando tua camisa. Não, eu não sei dizer no que estou pensando enquanto escrevo. São tantos pensamentos que me confundo ao piscar os olhos.
 Parecem que fazem anos, e é tudo tão recente.  A labareda da saudade queima e aquece a insônia. Queria conseguir ver tuas marcas em todas essas coisas ao meu redor.

Fernanda Paiva

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