Tua ausência é um misto de alívio e saudade, com constantes pensamentos pesados sobre tudo o que nos tornamos sem tua presença. Me dói por vezes não te ter aqui, alguns medos não existiriam e a casa estaria mais segura. Tão complicado admitir que uma força que não depende de mim te levou pra longe de nós; complicado é aceitar que nosso tempo juntos ficou no passado e que eu neste instante escrevo sem lágrimas nos olhos e com o peito dolorido por não entender o que há de errado comigo. Mesmo com muita chuva de pedra nós estamos bem. Estou descobrindo em mim a presença dos sentimentos mais sujos, mais primitivos e não sei o que fazer...
Perdoa minha falta de coragem de olhar nos olhos.
É que por algum motivo eu pensei que hoje podíamos estar juntos.
Se por um mísero e inútil detalhe eu pudesse ver teu sorriso que não fosse em sonho, e que de longe eu ouvisse teus passos e teu assovio anunciando tua chegada.
Sei que eles permanecem na minha lembrança, tão complicado é encontrar um pedacinho da nossa estória que não esteja poluído por tudo que o presente trouxe.
Sei que eles permanecem na minha lembrança, tão complicado é encontrar um pedacinho da nossa estória que não esteja poluído por tudo que o presente trouxe.
Dizer "Pai" não me enche a boca e nem me deixa com gosto bom nos lábios. Dizer esta palavra me trás a verdade de que eu cresci e que não estamos mais juntos.
Encontro tua presença em detalhes pequenos que me fazem ficar horas pensando. A saudade dói tanto quanto saber que tua ausência levou meus medos, assim como minhas certezas. Pensar em tudo o que passou é o mesmo que cravar uma faca no peito e ficar revirando-a de modo a causar mais dor.
Queria ver as veias das tuas mãos e senti-las acariciando meus cabelos, e beijar como borboletas beijam. Tão leve é a lembrança do barulho do teu sorriso, tão leve é lembrar que estivemos juntos e que mesmo assim nossas fotos estão apenas na memória.
Complicado é apagar a labareda da saudade.
Fernanda Paiva
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