quinta-feira, 14 de junho de 2012

Impuros desejos


E aos pouquinhos eu vou me sentindo envolvida por ele. É estranho, porque meus pés tentam puxar minha mente  pro chão e meu corpo tão pouco obedece minha mente. Tem um gostinho doce, que por vezes tem como sentí-lo amargo. Desce lentamente pela minha garganta, e no fim meu corpo todo adormece por dentro. Irônico, eu me pego sorrindo com o canto dos lábios. Não tinha sentido nada igual antes, é como o frio na barriga, é como o sono que chega lentamente. Aos poucos a intensidade aumenta, perco meus pensamentos por dentro de mim mesma, imagino um milhão de coisas e por fim não chego a conclusão alguma. 

Tento me conter, porém a vida se mostra mais presente do que eu imaginava e meus sonhos eu acabo entregando ao tempo. Lembro de todos os sorrisos que já vi, e penso no quanto é complicado não saber pronunciar na hora certa a palavra amor.

Me desprendo de todos esses pensamentos. "Viver é deixar viver."  Ignoro certos desejos do meu corpo, e acabo lembrando das bocas que já beijei.
Sinto a intensidade e o barulho que o sangue faz quando corre nas minhas veias. Tão vermelho quanto meu desespero por não ter respostas. Por vezes sinto que tenho que organizar, por vezes não sei quem sou. Não sei quem somos. 
Meu batimento cardíaco acelera, minha visão embaça, minha mente se perde. E aí, eu acordei do meu sono perturbado, e me encontro outra vez com a minha mente bagunçada e meu peito que não cicatriza.

Fernanda Paiva

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