quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ilusion, my ilusion


E aquilo tudo me envolvia, tal qual o sono vai envolvendo a gente. E eu caminhava, sem nem mesmo saber onde estava pisando. E era como se as luzes apagassem, acendessem ao mesmo tempo. Minha visão turva atrapalhava minha mente confusa, e eu era incapaz de responder alguma coisa relacionada a aquele diálogo, de repente eu estava muda e cada vez mais envolvida. 

Em alguns lapsos de memória eu via o quanto tudo havia mudado, a presença da morte trouxe o frio e meu corpo não aquecia mais. Lembro daquela noite, flashes da luz do video que passava na televisão, tua boca, minha boca, tuas mãos, meu corpo. Teus olhos, eu me permiti acreditar neles, eram claros e à medida que os dias passavam mais claros ficavam. Como se eu estivesse caindo e todo meu corpo ficasse adormecido, e eu sem saber o que fazer me movia, inutilmente contra as paredes. Meus músculos adormeceram, e eu não tinha mais como me mover. Aos poucos eu fui sentindo aquele liquido gelado passar pelas minhas veias, e minha mente ir se distanciando. Aqueles som que depois viria a ser um monstro a me perturbar, "I'm with this deep eternal universe, from death to rebirth", e depois tudo se movimentava dolorosamente devagar, e eu tão pouco entendia tudo ao meu redor. E o frio, o frio tomava conta das minhas noites insones, e eu acreditava que tudo aquilo seria para sempre. 
A chuva trouxe a verdade, lavou meus olhos e eu pude ver o deserto em que eu estava, à medida que eu tentava caminhar, as vozes eram apenas lamúrias e eu precisava sentir aquele veneno mais uma vez nas minhas veias.  A loucura alimentou meus dias, eu caminhava dominada pela insanidade, acreditando encontrar a sanidade em uma esquina, e a esquina estava sempre vazia, as ruas não mudavam e meu corpo todo, aos poucos, foi adormecendo de raiva e minha visão foi voltando ao normal. 
O buraco era fundo, porém dentro dele não havia espaço para dois corpos.

Fernanda Paiva

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